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Setor de Atacado e Varejo: Crescimento real de vendas quase nulo com forte aumento das dívidas


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 13/Set/2016.

 

“A concorrência revela o melhor nos produtos e o pior nas pessoas”
David Sarnoff – Empresário americano

Em Abr/2016 publicamos um artigo com o título “Setor de Atacado e Varejo: Relação Dívida Líquida/EBITDA cresce 70%” no qual comentamos com base nos resultados de 2015 que a queda do consumo provocada pela crise econômica brasileira junto com aumento dos juros levou muitas empresas do varejo a recorrer à recuperação judicial na tentativa de não fechar as portas. Neste artigo atualizamos os indicadores do Setor de Atacado e Varejo com base nos resultados do 1º semestre de 2016 e destacamos as companhias que tiveram crescimentos de receitas, geração de caixa medida pelo EBITDA, lucros e retorno do acionista e também as que tiveram reduções de endividamento.

O mercado acionário brasileiro possui 23 companhias abertas do setor de Atacado e Varejo. No 1º semestre de 2016 essas empresas totalizaram R$97 bilhões em vendas. A líder do setor em bolsa é o P.Acucar-CBD  com R$34 bilhões em vendas, representando 35% do market-share, mas com crescimento de pouco mais de 3% em relação ao 1S2015. Do total das receitas líquidas do 1S2015, 7 destas companhias representam 80% do setor: P.Acucar-CBD , Dufry AG, Viavarejo, Lojas Americ, Raiadrogasil, Magaz Luiza e Natura. Os gráficos a seguir ilustram o que dissemos.

Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Atacado e Varejo – 1S2015Fonte: SABE ©

Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Atacado e Varejo – 1S2015
Fonte: SABE ©

Por outro lado, sob a ótica dos resultados a Hypermarcas liderou com R$1,2 bilhões, seguida de Lojas Renner com R$240 milhões. A líder em vendas P.Acucar-CBD ocupou a última posição de resultados com prejuízo de R$739 milhões.

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Na comparação do 1S2015 contra 1S2016, os 5 maiores crescimentos de receitas, EBITDA e resultados e as  5 maiores reduções de dívidas das empresas do setor em bolsa são mostradas nas planilhas a seguir:

Destaques de crescimentos/reduções do Setor de Atacado e Varejo – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Destaques de crescimentos/reduções do Setor de Atacado e Varejo – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

Ainda na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 23 empresas no conjunto tiveram um crescimento de receita real praticamente nulo, queda de 12% na geração de caixa medida pelo EBITDA, redução violenta de 71% nos resultados líquidos, aumento significativo de 36% no endividamento líquido, atingindo no 1º semestre de 2016 uma relação elevada da ordem de 17:1 entre a dívida líquida e o EBITDA, crescendo 55% em relação ao 1S2015 e representando mais que o dobro do calculado em 2015. Além disso, observamos uma queda de 1ppt na taxa de retorno para o acionista (ROE), que no 1S2016 ficou em 0,43% no agregado, menos da metade do observado em 2015 que era de 1%. A tabela seguinte ilustra os números do setor na comparação dos totais dos últimos dois semestres das 23 empresas do setor.

Indicadores do Setor de Atacado e Varejo – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Indicadores do Setor de Atacado e Varejo – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

 

Comentários Finais

Conforme noticiado pelo site Infomoney no dia 09/Set/2016, os analistas do mercado continuam se mostrando bastante otimistas com o setor de varejo no país. A equipe de análise do Bradesco BBI elaborou relatório em que comenta o setor de varejo na América Latina. Os analistas comentam que, no momento atual, preferem as varejistas brasileiras, principalmente embalados pela recuperação da confiança do consumidor no país. Os analistas ainda comentam suas 6 ações preferidas no setor na região, sendo que 4 delas são do Brasil, como segue:

  • Renner (LREN3): conta com um crescimento consistente e alto e é negociada a múltiplos atrativos;
  • Via Varejo (VVAR11): está particularmente envolvida com uma recuperação de demanda no Brasil, dada sua exposição a bens duráveis de maior valor;
  • Lojas Americanas (LAME4): o histórico da empresa fala por si e a expectativa é que ela continue a performar bem;
  • Arezzo (ARZZ3): é uma das mais baratas em seu universo de cobertura.

Ainda aparecem com recomendação neutra as ações da B2W (BTOW3), Pão de Açúcar (PCAR4), Guararapes (GUAR3), Hering (HGTX3) e Marisa (AMAR3). Estão sob revisão o Magazine Luiza (MGLU3), Natura (NATU3) e Restoque (LLIS3).

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que criam valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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