KROTON - maior empresa privada brasileira no ramo da educação no Brasil

KROTON – maior empresa privada brasileira no ramo da educação no Brasil


“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância”.
Derek Bok (Ex-Presidente da Universidade de Harvard,USA).

Por Luiz Guilherme Dias | 19/Jan/2016.

É com muita satisfação que ao comemorar os 21 anos de existência da SABE em 16/Jan/2016 publicamos este artigo sobre nossas empresas brasileiras. Desta vez vamos falar sobre a Kroton, a maior empresa privada brasileira no ramo da educação no Brasil.

Recentemente publicamos um artigo sob o título “Gigantismo Empresarial: uma doença do século XXI” , no qual discutimos a questão do gigantismo das empresas, pontuando que no século passado a missão dos administradores era tão somente maximizar a riqueza dos acionistas. O mundo mudou e atualmente o principal objetivo da administração é maximizar o valor da Empresa, agregando valor, melhorando os processos, inovando e aprendendo. O foco agora é a busca de valor.

Opinamos também que o gigantismo por si só não constitui um problema desde que o crescimento, ou melhor, o desenvolvimento da empresa seja feito com qualidade de gestão/governança, com consistência estratégica, acompanhando a evolução das tecnologias atuais. Para se perpetuarem as empresas precisam ser ao mesmo tempo maduras para não cometer os erros do passado e jovens para inovar e manter ativa sua capacidade empreendedora.

De acordo com a Hoper Consultoria, a Kroton é uma das maiores organizações educacionais privadas, com fins lucrativos, do Brasil, com atuação no setor educacional brasileiro há mais de 45 anos, tendo iniciado suas atividades no ano de 1966. Seu modelo de negócio é abrangente e diferenciado, atendendo cerca de quase 1 milhão de alunos no Ensino Superior e cerca de 300 mil alunos nos Sistemas de Ensino para Educação Básica, o que representou 95% e 5% respectivamente, da Receita Líquida da empresa em Dez/2014.

O setor privado apresentou um crescimento nas matriculas entre 2001 a 2013, superior ao setor público. Com isso, o setor privado elevou sua participação de mercado de 69% em 2001 para 74% em 2013, enquanto que o setor público teve sua participação reduzida de 31% para 26%, em temos de matrículas. O Ensino Superior tem a presença de muitas entidades privadas, as quais foram responsáveis por grande parte do crescimento no número total de matrículas nos últimos anos, consolidando seu papel de principal provedor de Ensino Superior no Brasil.

Total de Estudantes (MM) no Ensino Superior – 2000 a 2013 Fonte: MEC

Total de Estudantes (MM) no Ensino Superior – 2000 a 2013
Fonte: MEC

No Brasil, as instituições de Ensino Superior públicas são direcionadas para servir como centros de excelência e pesquisa, com padrões de admissão extremamente competitivos e capacidade de expansão limitada. Já as instituições de Ensino Superior privadas voltam suas atenções para as exigências profissionais impostas pelo mercado de trabalho e desenvolvem programas flexíveis para atender às necessidades dos jovens trabalhadores.

Segundo a Kroton, o setor de Ensino Superior no Brasil possui 4 alavancas de crescimento: crescimento do ensino a distância (EAD), oferta de alternativas atrativas (PROUNI, FIES, etc) para classes de baixa renda, expansão do segmento formado por trabalhadores que estudam (hoje com menor força devido ao elevado desemprego) e fragmentação do mercado com oportunidades de crescimento por aquisição.

Por outro lado, a Kroton enfrenta enormes riscos: obrigações como sucessores de instituições adquiridas, capacidade de oferecer uma boa relação custo-benefício aos alunos, aumento dos níveis de inadimplência, aumento nas taxas de evasão dos alunos de Ensino Superior de escolas próprias/associadas, perda/redução das políticas de financiamento e/ou benefícios fiscais conferidos pela adesão ao ProUni/FIES, manutenção da qualidade do ensino em toda a rede, em especial do corpo docente.

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Além dos riscos inerentes ao negócio, existem riscos próprios do setor de educação no Brasil. Embora um dos “mantras” do Governo Federal seja a “Pátria Educadora”, ninguém duvida que a Educação é, senão a maior, uma das maiores prioridades para o desenvolvimento do Brasil. No passado publicamos dois artigos sobre o Setor de Educação: um intitulado “Setor de Educação: um desafio para o Brasil nesta década” e outro mais adiante “Setor de Educação: Desempenho 2011 – 2015”. Dissemos que para sermos de fato uma “Pátria Educadora”, pelo menos no ensino superior, falta ainda pelo lado das empresas melhorar a qualidade do ensino e pelo lado do Governo criar e manter regras estáveis para o setor deslanchar.

A Kroton atualmente possui quase 45.000 funcionários, opera 11 diferentes marcas, 125 unidades de Ensino Superior, distribuídas em 18 estados e 83 cidades brasileiras, além de 726 Polos de Graduação EAD credenciados pelo MEC em todos os estados brasileiros e também no Distrito Federal. Na Educação Básica possui mais de 870 escolas associadas em todo o território nacional.

A seguir os grandes números da Kroton com base nas demonstrações financeiras individuais publicadas nos 9M2015:

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Veja agora o que o nosso Banco de Dados SABE tem a revelar sobre a evolução da KROTON de 2010 a 2014 e sobre a comparação dos 9 Meses de 2015 com o mesmo período de 2014. Veja também como foi o desempenho em bolsa das ações KROT3 (KROTON ON) em mais de quatro anos.

KROTON – Radar de Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 2010 a 2014Fonte: SABE ©

KROTON – Radar de Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 2010 a 2014
Fonte: SABE ©

Nos últimos cinco anos (2010 a 2014) a Kroton, obteve uma excelente performance com taxas anuais compostas (CAGR) de  crescimento de ativo, patrimônio e resultados intermediários e  líquido entre 45% e 130% ao ano. Por outro lado o Endividamento Total também cresceu a uma elevada taxa de 71% ao ano, embora sua relação com o PL seja menor, de 60%. Os indicadores de margens, especialmente a bruta, alcançaram médias expressivas no período, em especial as margens líquidas de 2013 e 2014 de mais de 25% favorecidas pelas medidas de incentivo do Governo. Os índices de liquidez mostram uma companhia com recursos suficientes para honrar seus compromissos de curto prazo.

Observando agora o curto prazo, a planilha abaixo apresenta o desempenho da Kroton através da comparação de informações e indicadores de 9M2014 X 9M2015:

KROTON – Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 9M2014 X 9M2015 Fonte: SABE ©

KROTON – Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 9M2014 X 9M2015
Fonte: SABE ©

Notamos a continuidade dos aumentos dos crescimentos, porém em níveis menores: ativo e patrimônio entre 9% e 10%. O endividamento cresceu pouco mais de 4,5%, bem abaixo da inflação. Os resultados intermediários e líquidos cresceram mais que 44%. Por outro lado percebemos quedas nas margens, na relação dívida/PL e aumentos de mais de 30% nas rentabilidades e na liquidez corrente. Vamos ficar atentos com os resultados do exercício de 2015.

Evolução Trimestral da Ação KROT3 (KROTON ON). Fonte: APLIGRAF – Elaboração: SABE ©

Evolução Trimestral da Ação KROT3 (KROTON ON).
Fonte: APLIGRAF – Elaboração: SABE ©

O gráfico da evolução trimestral das cotações das ações KROT3 (KROTON ON) ilustra o desempenho em bolsa da companhia em mais de 4 anos, com uma boa valorização de 255% no preço do papel, que saiu de R$2,40 no 4º Trim/2011 para chegar a R$8,52 em 15/Jan/2016 (cotação máxima no período foi de R$15,26). No mesmo período o Ibovespa teve uma queda de 44%, caindo de 68.586 pontos para 38.524 pontos.

 

COMENTÁRIOS FINAIS:

Como vimos enfatizando em nossos artigos o Setor de Educação foi o que mais cresceu entre todos os setores da BOVESPA nos últimos anos, favorecido pelas regras do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), sistema de financiamento criado em 2010 no 1º mandato da Presidenta Dilma, que buscavam a massificação do ensino oferecendo juros baixos e fianças frouxas para os estudantes das instituições de ensino superior (IES) privadas. Com as novas regras criadas no fim de 2014 o setor enfraqueceu em 2015: concessão centralizada de empréstimos, prioridade para as IESs bem avaliadas pelo MEC e nota mínima de 450 pontos para acesso ao programa.  Agora o aluno que não tiver nota não ingressa e a IES que não tiver qualidade não vai mais faturar tanto. Acabou, portanto, a festa paliativa que tentava diminuir o número de formados analfabetos endividados e desempregados.

O mercado está vendo com otimismo o calendário de emissão e recompra dos certificados do FIES publicado pelo Ministério de Educação (MEC). Com esta medida confirmada os pagamentos do FIES deverão ser normalizados reduzindo o risco de falta de capital de giro das companhias do setor, em particular da Kroton.

Seguindo nossa missão de prover conteúdo útil sobre as empresas brasileiras, manteremos você atualizado com novas informações sobre as companhias do mercado extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Deixe o seu comentário ao final desta página sobre como você percebe o desempenho da Kroton, atual líder em nosso país do setor de educação.

Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

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2 Comments

  • epilogo de campos Jr

    19 de janeiro de 2016

    O Brasil poderia ser uma potencia da nova era global caso promovesse uma “revolucao” no sistema educacional aproveitando as novas ferramentas tecnologicas e a capacitacao dos jovens professores.
    Todos os paises que optaram por este caminho de desenvolvimento hoje sao nacoes respeitadas e admiradas alem do alto grau de desenvolvimento humano e social.

    • Caro Amigo Epílogo,
      Pela sua história de vida, ninguém melhor que você para fazer um comentário sobre a educação em nosso país. Sou do time do “samba de uma nota só”: sem educação nosso país jamais será uma nação desenvolvida. Agradeço sua mensagem.

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