Medo do desconhecido favorece crendices

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Medo do desconhecido favorece crendices

02/03/2020

“Do ponto de vista dos micróbios, nosso planeta de 6 bilhões de humanos majoritariamente carentes se parece com a Roma do século V antes de Cristo. Enquanto a raça humana lutar intestinamente, brigando por espaço cada vez mais abarrotado de gente e carente de recursos, a vantagem continuará no campo dos micróbios”

Extraído do livro “A próxima peste” de Laurie Garrett – Jornalista americana. Por Dorrit Harazim

O momento atual

Em sua coluna deste domingo intitulada “É nós ou eles (os micróbios)”, Dorrit Harazim observa com clareza que “com seu poder de disseminação planetária em redes sociais, o medo encontra neste novo milênio um hospedeiro frondoso. Segundo sua matéria, esse medo que nos assombra “nada tem a ver com o nosso medo natural e real que convida à ação e começa com a luta do embrião por oxigênio. Trata-se aqui do medo do invisível e do desconhecido, onde expectativas ansiosas e interpretações agourentas favorecem crendices. É esse tipo de medo que induz à paralisia e ou a comportamentos irracionais”. Tudo a ver com o momento que vivemos no momento, com impactos negativos sociais e econômicos...

MUNDO: o pânico provocado pelo avanço do coronavírus fez com que os mercados mundiais revivessem, na semana que passou, o clima perverso da crise de 2008. Nos Estados Unidos o S&P 500 perdeu 11% e o Dow Jones mais de 12%, causando uma redução de US$3 trilhões em valor de mercado das ações negociadas. Na Europa, o valor de mercado das empresas cedeu US$ 1,5 trilhões, com os índices das bolsas de Londres, Paris e Frankfurt variando negativamente entre 11% e mais de 12%. E, nos mercados emergentes o impacto foi de queda de US$ 600 bilhões em valor de mercado das empresas de bolsa.

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A estimativa para o crescimento do PIB global em 2020 é, no momento, de 2,8%.

BRASIL: o medo generalizado afetou igualmente o mercado de nosso país, com investidores vendendo ações e se protegendo em dólar e ouro, ativos considerados mais seguros em momentos de crise. Em 2020 até 28/02, o dólar se valorizou 11,74% frente ao real (cotado a R$4,48 naquele dia), os fundos cambiais acompanharam subindo 9,48%, o ouro alcançou mais de 19%. No mesmo período a poupança rendeu 0,52% e o Ibovespa caiu 9,92%.

A estimativa para o aumento do PIB brasileiro neste ano é de menos de 2%.

PERIGO X OPORTUNIDADE: ao mesmo tempo, o investidor Luiz Barsi, apelidado de "Rei da Bolsa brasileira", afirmou estar adorando a queda das ações e passou a 4ª feira de cinzas vasculhando o que chama de "oportunidades" e, descarregou mais de R$ 10 milhões em cerca de 1 milhão de ações de empresas como Itausa, Braskem e Cielo - "pechinchas", segundo ele, que acredita que vão sobreviver ao surto do coronavírus pelo mundo.

E você aí, investidor iniciante: vai seguir a manada ou o líder?

Balanços 2018 X 2019 (PRÉVIA)

Por conta dos feriados de Carnaval pouca coisa mudou na última semana. Entraram apenas 2 novos balanços em nosso banco de dados SABE.

Foram publicados até o momento balanços do exercício de 2019 de 92 companhias listadas na B3, cerca de 27% do total, sendo 73 empresas e 19 bancos. Em 2019 a soma dos lucros dos 19 bancos (R$92 bilhões) foi pouco menor do que a soma dos lucros (R$107 bilhões) das 73 empresas não financeiras.

Outras constatações podem ser extraídas dos números desta amostra de demonstrações financeiras individuais, comparando o crescimento dos resultados líquidos de 2018 contra 2019 até aqui, como mostra a planilha a seguir:


·  De 2018 para 2019 o total dos resultados líquidos das empresas sofreu uma redução nominal de mais de 13%. Já o mesmo total dos resultados líquidos dos bancos teve um aumento nominal próximo a 29%, mantendo a tendência dos últimos anos. Da amostra de 92 companhias (empresas + bancos) o aumento nominal foi de apenas 2%;

·  Das 73 empresas da amostra, apenas quatro tiveram prejuízo em 2019, num total de quase R$10 bilhões somados: Ecorodovias, B2W (que já vinha com resultado negativo em 2018), Suzano e Vale. Sem estas duas últimas, cujos prejuízos foram elevados, o lucro total das demais empresas aumenta 19%; 24 empresas tiveram queda de resultado líquido e 49 empresas tiveram aumento, de 2018 para 2019;

·  Pelo lado dos bancos, todos, sem exceção, tiveram crescimento de lucro, exceto o Banco Pine, cujo prejuízo aumentou de 2018 para 2019. A soma dos lucros (R$81 bilhões) dos 4 maiores (Itaú, Bradesco, BB e Santander) equivale a 88% do total;

·  Olhando o desempenho das 92 companhias como um todo vemos um crescimento nominal pífio (2%) dos resultados líquidos, de 2018 para 2019. Eliminando Suzano, Vale, Petrobras e os 4 maiores bancos para atenuar distorções, notamos um aumento nominal de 12%, com os dados desta amostra. Vamos continuar atentos com os novos balanços de 2019 que serão publicados até o dia 30 de março de 2020.

A semana que passou

O Ibovespa encerrou a última semana no dia 28 de fevereiro registrando 104.171 pontos. O índice apresentou uma queda de 15.356 pontos (ou 12,85% em moeda local) em relação à máxima de 119.527 pontos observada em 23/01/2020.

A tendência primária (longo prazo) do Ibovespa continua em alta. Mas, no curtíssimo prazo (últimos 21 pregões) a tendência de queda ficou mais acentuada, refletindo o pânico com o surto do coronavírus, e aumentando as expectativas de incerteza dos investidores com o momento atual.

A seguir um clipping de notícias julgadas relevantes por nossa equipe, visando auxiliar o leitor a compreender o recorrente “quebra-cabeças” do mercado de capitais brasileiro. Na sequência mostramos a evolução do desempenho do Ibovespa em diferentes intervalos de tempo.


Desempenho do Ibovespa

Veja a seguir o desempenho da bolsa brasileira, medido pelo Ibovespa em pontos, em diferentes intervalos de tempo. Observe que, mesmo com a queda provocada pela onda de pânico com o coronavírus, a partir de um intervalo de 1 ano a variação do índice continua superando a rentabilidade do CDI.


Com a taxa SELIC em 4,25% ao ano, o retorno real em 1 ano da poupança é de 2,98%, da renda fixa a 100% do CDI é de 3,51% e a 120% do CDI chega a 4,21%. Com o cenário para a inflação em níveis ainda mais favoráveis, prevalece a perspectiva de que a SELIC será mantida em níveis baixos por um período prolongado, afirma grande parte dos analistas de mercado.

Portanto, a renda fixa deixa de ser uma boa alternativa para quem deseja aumentar o seu capital com retornos expressivos. Para proteger o patrimônio, a renda fixa continua sendo uma boa alternativa, mas para ganhar dinheiro “de verdade” as ações são (e sempre serão) a melhor opção de investimento a longo prazo.

Dentre as alternativas de aplicações com maior risco, as Ações de companhias com qualidade de gestão e desempenho consistente no longo prazo, as chamadas “SABE Campeãs”, trazem excelentes oportunidades de investimentos. A mudança do paradigma Renda Fixa X Renda Variável, já se faz sentir há mais de dois anos!

O conjunto de estatísticas mostrado ajuda o leitor a perceber os movimentos cíclicos da bolsa brasileira, em especial sobre os que têm (e os que não têm) fundamento técnico. Confira a evolução do “termômetro da bolsa” no gráfico abaixo e perceba as diferenças entre as tendências (linha pontilhada em amarelo) e as volatilidades do Ibovespa no longo prazo (cinco anos) e no curtíssimo prazo (últimos 21 pregões):


A SABE não pretende nem se dispõe a ensinar/instruir como investir no mercado de ações nem, muito menos, quais e quando comprar/vender ações: para isso recomendamos consultar a sua Corretora. SABE é o suporte imprescindível para quem já atua neste mercado ou já tomou a decisão de nele participar.

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O SABE Alerta é apenas a “ponta de um iceberg” quando comparado ao acervo de informações que o Big Data SABE tem à disposição de investidores e gestores de investimentos em ações: são 140.000 demonstrações financeiras padronizadas de TODAS as companhias abertas desde 1994 e os preços de suas ações ajustadas dos últimos cinco anos.

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Luiz Guilherme Dias
SABE | Inteligência em Ações da Bolsa


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