Dívida das Empresas Abertas no 1S2017: se fossem pessoas, a maioria estaria no hospital.

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Dívida das Empresas Abertas no 1S2017: se fossem pessoas, a maioria estaria no hospital.

12/09/2017

Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 12/Set/2017.

“A saúde é o resultado não só de nossos atos, como também de nossos pensamentos”. Ghandi

Neste artigo consolidamos a dívida das empresas não-financeiras de capital aberto brasileiras listadas na B3 com informações do 1º semestre de 2017. Para o levantamento a SABE utilizou uma amostra de 188 empresas que apresentaram uma dívida líquida total de R$ 1,8 trilhões no 1S2017 contra R$ 1,9 trilhões no 1S2016, equivalente a uma queda de 3,86%.

Pela ótica da capacidade de pagamento (geração de caixa) medida pelo EBITDA, as mesmas empresas apresentaram nos dois últimos semestres um total de R$ 193 milhões contra R$ 187 milhões, correspondente a um aumento de 3,36%. Em outras palavras, a relação Dívida Líquida/EBITDA caiu de 5,0x do 1S2016 para 4,6x no 1S2017, sinalizando uma boa notícia para a economia do país.

Cabe aqui o registro que o mercado se preocupa mais com a dívida em termos relativos (comparada com a capacidade de pagamento da empresa) do que em termos absolutos. Em termos relativos, o indicador Dívida/EBITDA sinaliza quantos anos a empresa leva para pagar sua dívida, mantendo a sua geração de caixa. Os gráficos a seguir mostram as 10 Maiores e as 10 Menores dívidas das empresas da amostra, medidas pela relação Dívida Líquida/EBITDA.

10 Maiores/ Menores Dívidas pelo indicador Dívida Líquida/EBITDA – 1S2017 Fonte: SABE © Powered by Maestro ©

Por outro lado, em valor absoluto as 10 maiores dívidas totalizaram R$ 997 bilhões de reais no 1S2017, correspondentes a 57,44% do valor de todas as empresas da amostra deste estudo. O gráfico a seguir apresenta essas 10 maiores dívidas em valor absoluto, acompanhadas do número estimado de anos para pagá-las com a geração de caixa.

10 Maiores Dívidas X Nº de Anos a pagar – 1S2017 – Fonte: SABE © Powered by Maestro ©

Pelo gráfico acima, podemos perceber que apesar da Petrobras ter a maior dívida em valor absoluto (R$ 466 bilhões), a BRF com dívida de R$ 27 bilhões levaria mais que o dobro do tempo para sair do buraco que a estatal. Assim sendo, o importante é a capacidade de gerar caixa para pagar as dívidas e não a dívida em si.

Fazendo agora uma analogia da dívida das empresas com a saúde de uma pessoa, podemos classificar as dívidas em diferentes categorias como mostradas na tabela abaixo:

Saúde Financeira das Empresas de Capital Aberto – 1S2017 – Fonte: SABE © Powered by Maestro ©

Cabe aqui o registro sobre as 12 empresas que gozam de saúde “invejável” por possuírem no 1S2017 uma dívida líquida negativa, vale dizer, com dinheiro em caixa suficiente para quitar todos os compromissos deixando ainda sobra para gerar receita financeira. São elas: Grendene, Qgep Part, Linx, Petrorio, Ferbasa, Mont Aranha, Odontoprev, Fras-Le, Gp Invest, Tarpon Inv, Par Al Bahia e Arezzo Co.


COMENTÁRIOS FINAIS

A informação de que o governo quer privatizar a Eletrobras, uma das maiores empresas de energia elétrica da América Latina, foi recebida por especialistas do setor como uma boa saída para a estatal, que vem enfrentando graves problemas financeiros e acumula dívidas de R$ 43,5 bilhões.

Segundo artigo publicado no site Mundo Estranho, uma empresa pode recorrer a uma recuperação judicial, uma espécie de UTI para salvar companhias que não conseguem mais pagar suas dívidas. Mas também há uma possibilidade mais radical: ir direto para a falência e fechar as portas de vez. A recuperação judicial traz a grande vantagem de evitar o simples fechamento da empresa, mas é um caminho lento. “A recuperação tem como objetivo fazer com que a empresa supere a crise, para garantir os empregos, sua função social”, diz o advogado Adibes Burgareli, professor da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Com a nova lei, a velha concordata deixou de existir. Agora, com a recuperação judicial, as empresas têm mais opções para sair do buraco.

O ano de 2016 teve recordes alarmantes, fazendo com que muitos empresários fizessem pedidos de recuperação judicial de seus negócios. Durante todo o ano de 2016 foram requeridos 1.863 pedidos, um total 44,8% a mais do que o registrado em 2015, onde foram solicitados 1.287 pedidos de recuperação judicial. Em 2014 este número foi de 828 requerimentos. Dos setores de comércio, indústria e serviços, o maior número de recuperações judiciais registrado foi no terceiro segmento, que ficou com 713 pedidos. O comércio ficou em segundo lugar, com 611 solicitações e a indústria registrou 446 pedidos. (Fonte: SERASA).

A SABE Consultores tem a missão de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas conscientes atuam de maneira a criar valor não só para si mesmas, mas também para seus clientes, colaboradores, fornecedores, investidores, comunidade e meio ambiente ou usando o jargão do momento para seus “stakeholders”.

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