2018: O ano em que a política travou a economia

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2018: O ano em que a política travou a economia

08/10/2018

“A democracia não é um sistema feito para garantir que os melhores sejam eleitos, mas para impedir que os ruins fiquem para sempre”

Margaret Thatcher – Primeira-Ministra do Reino Unido de 1979 a 1990

A incerteza com o resultado das eleições majoritárias, cujo 1º turno já terá se realizado quando este artigo for para o ar, travou a economia praticamente ao longo de todo este ano de 2018. Empresas, investidores e consumidores ficaram com o “pé atrás” esperando para ver o que ia dar. Entretanto, já sabemos de antemão que a recuperação da economia não será fácil, qualquer que seja o novo governo, pois o quadro é assustador como demonstram alguns indicadores.

Matéria publicada no caderno de Economia do jornal O Globo, intitulada “2018, o ano em que a economia anda de lado”, com participação dos economistas do IEDI, indica de forma transparente os seis sinais de estagnação que vive nosso país atualmente:

1.  PRODUÇÃO INDUSTRIAL E DE SERVIÇOS EM QUEDA: no mês de Jul/2018, a indústria caiu 0,2% e o volume de serviços prestados encolheu 2,2% em relação ao mês anterior; A falta de clareza sobre o longo prazo reduziu o nível de confiança levando os empresários a postergarem suas decisões de investimentos;

2.  VENDAS NO VAREJO ADIADAS: no mês de Jul/2018, as vendas no varejo caíram 0,4% em relação ao mês anterior; O consumidor perdeu a confiança para gastar desde a greve dos caminhoneiros em Mai/2018: roupas, sapatos e eletrodomésticos estão em compasso de espera; O consumo ficou restrito principalmente a alimentos e remédios;

3.  ÍNDICE DE CONFIANÇA EM QUEDA: a prévia de Set/2018 aponta para uma queda de 2,9 pontos, nível mais baixo há doze meses; A incerteza fez o dólar disparar, subindo quase 30% no ano, e jogando fora do radar de investidores empresas com dívidas na moeda americana ou com ações negociadas na bolsa;

4.  RECURSOS PARADOS EM FUNDOS DE INVESTIMENTOS: o estoque dos fundos de “private equity” em Set/2018 eram de R$ 36 bilhões, alta de apenas 20% no ano, indicando paralisação dos investimentos;

5.  LANÇAMENTOS DE AÇÕES EM BOLSA ADIADOS: em 2017 foram movimentados R$ 21,8 bilhões em 26 operações de lançamento de ações; este ano foram somente R$6,7 bilhões em 3 operações; Pelo menos onze empresas cancelaram ou adiaram IPO na bolsa, em 2018;

6.  RISCO BRASIL EM ASCENÇÃO: de Dez/2017 para Set/2018, o CDS (credit default swap) subiu de 162 para 264 pontos; Em 2017 o saldo do volume de investimentos estrangeiros na bolsa foi de R$ 14,6 bilhões; Até Set/2018, os investidores estrangeiros já retiraram R$ 1,7 bilhões da B3; De acordo com o Boletim Focus a previsão de investimento estrangeiro direto em 2018 caiu de US 80 bilhões para US$ 67 bilhões.

Com uma economia estagnada, na última semana, o investidor estrangeiro ignorou o risco e aproveitou o preço baixo para adquirir ações da nossa bolsa. Com o dólar a R$ 4, fica mais barato para quem é de fora comprar ações de companhias nacionais. De Jul a Set/2018 os investidores estrangeiros compraram R$ 8,2 bilhões em papéis das empresas brasileiras. Entretanto, no 1º semestre de 2018 foram retirados da bolsa R$ 9,9 bilhões: esse é o tamanho da especulação!!

Atualmente o mercado de ações no Brasil tem sido muito especulativo e volátil, com fluxos de curto prazo, tendo entradas e saídas muito rápidas. Além disso, o volume diário baixo, em torno de R$ 9 a 10 bilhões, encoraja e facilita a especulação. No dia 03/Out/2018 o volume mais que dobrou, movimentando R$ 22,4 bilhões, por conta da expectativa da mudança do novo governo. Por outro lado, os investidores de longo prazo estão em compasso de espera, aguardando o desenrolar das eleições próximas e a sinalização do futuro presidente sobre as reformas econômicas.

Na última semana, encerrada em 05/Out/2018, a bolsa subiu 3,87%, motivada pela expectativa sobre a eleição de um novo governo Bolsonaro a favor das reformas. Na 6ª feira passada o Ibovespa fechou em 82.321 pontos. Em 2018 a bolsa está subindo 7,75%.

Comparando o pico histórico de 20/Mai/2008 de 73.516 pontos contra o pico de 2018 até aqui de 87.652 pontos, percebemos um aumento nominal de 19% (em pontos) e uma queda de 39% em US$, refletindo o cenário ruim que a economia do país atravessa.

Veja a seguir o desempenho da bolsa brasileira medido pelo Ibovespa em pontos, em diferentes intervalos de tempo.

Insistimos acreditando que, com a SELIC no patamar de 6,5% ao ano, os investidores terão que buscar alternativas com maior risco, caso queiram obter retornos melhores. Para proteger o patrimônio, a renda fixa continua sendo uma boa alternativa, mas para ganhar dinheiro de verdade as ações são a melhor opção. Ocorrendo aumento dos juros em 2019, a busca por melhores retornos se tornará mais técnica e seletiva.

Como lembra o economista Lionel Robbins, “expectativas equivocadas estimulam investimentos inapropriados”. Dentre as alternativas de aplicações com maior risco, as Ações de companhias com gestão de qualidade e desempenho consistente no longo prazo, as chamadas “SABE Campeãs”, trazem excelentes oportunidades de investimentos. Quem não quiser gerenciar risco vai ter que se contentar com 0,50% de retorno ao mês! A mudança do paradigma Renda Fixa X Renda Variável, na nossa opinião, é uma questão de tempo...

O conjunto de estatísticas mostrado ajuda o leitor a perceber os movimentos cíclicos da bolsa brasileira, em especial sobre os que têm (e os que não têm) fundamento técnico. Confira a evolução do “termômetro da bolsa” no gráfico abaixo e perceba agora a semelhança entre as tendências de alta e as volatilidades do Ibovespa no longo prazo (quase cinco anos) e nos últimos 22 pregões:

Desempenho do Ibovespa no Longo Prazo e em 22 pregões

Fonte: APLIGRAF I Elaboração: SABE ©


Veja agora o SABE Alerta da semana passada informou sobre as dívidas das companhias listadas na B3, sobre os setores novatos e sobre a questão do fato relevante do CEO da Qualicorp.

Somente 20 Companhias listadas na B3 não têm dívidas!!!

Setores novatos são os menos endividados

Qualicorp – Uma “facada” de R$150 milhões!!!


A SABE não pretende nem se dispõe a ensinar/instruir como investir no mercado de ações nem, muito menos, quais e quando comprar/vender ações: para isso recomendamos consultar a sua Corretora. SABE é o suporte imprescindível para quem já atua neste mercado ou já tomou a decisão de nele participar.

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O SABE Alerta é apenas a “ponta de um iceberg” quando comparado ao acervo de informações que o Big Data SABE tem à disposição de investidores e gestores de investimentos em ações: são 120.000 demonstrações financeiras padronizadas de TODAS as companhias abertas desde 1994 e os preços de suas ações ajustadas dos últimos cinco anos.

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Luiz Guilherme Dias
SABE | Inteligência em Ações da Bolsa

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