TRIUNFO PARTICIPAÇÕES – Buraco nas Contas, Cratera na BR-040

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TRIUNFO PARTICIPAÇÕES – Buraco nas Contas, Cratera na BR-040

13/11/2017

De acordo com informações obtidas de seu site, a Triunfo, listada no Novo Mercado (NM), o mais alto nível de Governança Corporativa da Bolsa de Valores (B3), foi uma das primeiras empresas a assumir a concessão de uma rodovia no país, em 1995 e atualmente figura como uma das empresas de maior expressão nesse segmento, tanto em número de quilômetros administrados, quanto em receita e volume de tráfego. Nesse setor, a Companhia administra cinco concessionárias de rodovias: a Econorte, no Paraná, a Concepa, no Rio Grande do Sul, a Concer, no Rio de Janeiro e Minas Gerais, a Concebra, no Distrito Federal, Minas Gerais e Goiás, e a Transbrasiliana, em São Paulo entre as divisas de Minas Gerais e Paraná.

Desde Jul/2017 a Triunfo enfrenta um processo de Recuperação Extrajudicial, cujos principais documentos relacionados da Companhia e de suas controladas referidas podem ser acessados por meio do link: Recuperação Extrajudicial.

De 2012 a 2016, a Triunfo teve um desempenho fraco em termos econômico-financeiros, em especial de 2015 para 2016, com quedas expressivas de ativos e patrimônio, receita, geração de caixa medida pelo EBITDA e resultado líquido que em 2016 ficou negativo em R$ 335 milhões. Em 2016 sua dívida líquida estava em R$ 3,8 bilhões, representando 5,4 vezes sua capacidade de geração de caixa. Os prejuízos de 2013, 2014 e 2016 deterioraram o retorno do acionista (ROE) que na média ficou abaixo de zero.

Em período mais recente, o desempenho da companhia ainda deixa a desejar, pois seus principais indicadores tiveram reduções nos primeiros nove meses de 2017 quando comparados com igual período de 2016: queda de ativos (12%), redução expressiva de patrimônio líquido (56%) e receita praticamente estável. De acordo com o balanço dos 9M2017, o EBITDA ficou negativo em R$ 201 milhões, o prejuízo atingiu R$ 834 milhões, mantendo a dívida líquida do fim de 2016, R$ 3,8 bilhões, agravada pelo caixa negativo. A situação é dramática porque enquanto a dívida cresce a geração de caixa decresce, dificultando seu equacionamento.

A Triunfo perdeu cerca de 68% de seu valor de mercado do fim de 2012 até o dia 10/Nov/2017. O preço de fechamento ajustado de sua ação TPIS3 (Triunfo Part ON) saiu de R$ 10,74 em 28/Dez/2012 e chegou a R$ 3,46 em 10/Nov/2017, refletindo o fraco desempenho da companhia nos últimos cinco anos.

No dia 07/Nov/2017 a TPI - Triunfo Participações e Investimentos S.A. (B3:TPIS3) e sua subsidiária Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora - Rio (“Concer”), comunicaram aos seus acionistas e ao mercado em geral que, “na data de hoje, houve um abatimento do solo à margem da rodovia que ocasionou desmoronamento de terra, em segmento próximo à cidade de Petrópolis, no quilômetro 81. A Concer, imediatamente, alocou equipes técnicas e de atendimento social para minimizar os impactos do incidente. As causas estão sendo apuradas e serão informadas tão logo sejam identificadas”. (Comunicado ao Mercado).

Segundo notícia da Agência Brasil em 07/Nov/2017, um deslizamento na altura do quilômetro 81 da BR-040, que liga o Rio de Janeiro a Juiz de fora, destruiu uma casa e abriu uma cratera às margens da pista, no sentido Rio, na manhã desse dia. Devido ao acidente, a Secretaria de Defesa Civil de Petrópolis interditou 50 casas e retirou 73 crianças da Escola Municipal Leonardo Boff, na comunidade do Contorno, como medida de segurança. Ninguém ficou ferido.

Em Set/2017, a Procuradoria da República em Petrópolis entrou com uma ação civil pública na Justiça pedindo o fim da concessão da rodovia Rio-Juiz de Fora (BR-040) à CONCER. A ação do Ministério Público Federal (MPF) também solicita que a ANTT intervenha na área pelo restante do prazo da concessão e que a cobrança de pedágio seja suspensa ou pelo menos tenha seu valor congelado. Também há pedido para a realização de um novo processo licitatório para concessão do trecho rodoviário. A concessão, iniciada em 1995, se encerra em 2021. De acordo com o MPF, em mais de 21 anos de concessão, a CONCER praticamente não cumpriu com as obrigações previstas no Plano de Exploração da Rodovia. (Fonte: Agência Brasil).

Os moradores de Petrópolis, onde me incluo, estão indignados com a situação de degradação que a BR-040 se encontra há dois anos, desde a paralização da obra da Nova Subida da Serra (NSS) que já consumiu considerável soma de recursos públicos. A CONCER, controlada da Triunfo, é uma unidade de negócio lucrativa pois opera um dos principais eixos viários do país com alto fluxo de veículos cobrando pedágio de R$ 12,60 para automóveis, mas tem sua gestão prejudicada pela grave situação financeira em que se encontra sua controladora.

Uma solução proposta por vários moradores de Petrópolis para o imbróglio da concessão da BR-040, agora agravado pela catástrofe do deslizamento de terra ocorrido e que pode ser ampliado por conta das chuvas de verão, seria a substituição da CONCER por outro operador isento com notório saber do assunto de obras rodoviárias, como o Exército Brasileiro. A adoção dessa proposta facilita a dispensa da obrigatoriedade de uma nova licitação e agiliza a solução de um problema que afeta famílias carentes, pessoas que se deslocam para trabalhar, empresas da região e, obviamente, a economia de um importante município como o de Petrópolis que possui uma população de 300.000 habitantes.

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Luiz Guilherme Dias
Equipe SABE - Inteligência em Ações da Bolsa

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