Serviços Financeiros – Desempenho abaixo do esperado.

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Serviços Financeiros – Desempenho abaixo do esperado.

12/01/2018

Dezessete companhias abertas com ações na bolsa compõem o Setor de Serviços Financeiros. De acordo com os números dos balanços dos nove primeiros meses de 2017, apenas três empresas deram prejuízos: BR Insurance, CIMS e Grucai. Estas companhias já estavam no “vermelho” no mesmo período de 2016. Entretanto, o setor como um todo teve leve aumento de 4% do resultado líquido, de R$ 8,62 bilhões nos 9M2016 para R$ 8,97 bilhões nos 9M2017.

Três empresas detêm 86% das receitas: Sul América com 33%, Porto Seguro com 31% e Cielo com 22%. O total das receitas nos 9M2016 foi de R$ 38,0 bilhões contra R$ 39,7 bilhões nos 9M2017, representando um aumento nominal de 4,3%. O maior crescimento em vendas nos 9M2017 contra igual período de 2016 foi da B3 (antiga BMFBovespa), cujas receitas subiram 55,56%.

O desempenho como um todo das companhias do Setor de Serviços Financeiros foi regular: receitas praticamente estáveis, lucros e EBITDA com pequeno aumento, e alavancagem financeira medida pela relação anualizada dívida/EBITDA com expressivo crescimento atingindo o nível de 6,9x nos 9M2017, por conta de forte influência do aumento da dívida de Cielo, líder em lucro líquido no período. Além disso, o ROE (retorno do acionista) anualizado do setor caiu quase 12% nos nove primeiros meses de 2017, em relação a igual período de 2016.

Comparando os números dos 9M2017 contra o mesmo período de 2016, constatamos quedas expressivas de receitas de: GP Invest (- 49%), BR Insurance (- 33%) e IdeiasNet (- 32%), enquanto que os aumentos mais expressivos ficaram com: B3 (+ 55%), Wiz (+ 35%) e Participações Aliança da Bahia (+ 15%). Com relação às variações consistentes de lucros nos mesmos períodos, destacamos: B3 (+ 51%) e Porto Seguro (+ 36%).

Sobre o endividamento, observamos, de modo pragmático (“by the book”), expressivo aumento do grau de alavancagem financeira da Cielo, de 2,61x nos 9M2016 para 11,16x nos 9M2017, mais que triplicando seu nível de dívida, além de influenciar fortemente o nível da dívida do setor como um todo.

Segundo informações da Cielo, a relação dívida líquida/EBITDA ajustada à receita de antecipação de recebíveis, em 30/Set/2017 era de apenas 0,8x. O EBITDA Ajustado considera a receita bruta com Antecipação de Recebíveis. De acordo com o seu site, a Cielo tem um perfil de dívida de baixo risco: Baixo grau de alavancagem financeira (Total Dívida Líquida (30 de setembro de 2017) = R$ 6,0 bilhões;   Dívida Líquida/ EBITDA Ajustado: 0,8x), Baixa necessidade de Investimentos em bens de capital (“Capex”): entre R$ 150 a R$ 200 milhões para 2017. (Fonte: Cielo).

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Por outro lado a B3 também teve forte aumento de alavancagem atingindo o nível de 4,00x nos 9M2017, saindo de posição confortável nos 9M2016 quando possuía dívida líquida negativa. Cabe também o registro de expressivas reduções, nos mesmos períodos, dos graus de alavancagem financeira das Seguradoras Porto Seguro, Aliança da Bahia e Sul América, de 37%, 60% e 31%, lembrando que suas atividades operam bastante alavancadas.

Finalmente, sobre o ROE (retorno do acionista), destacamos as altas rentabilidades anualizadas nos 9M2017 das seguintes companhias: Multiplus (188%), Wiz (127%) e BB Seguridade (42%).

Pela comparação dos números dos balanços dos 9M2016 versus 9M2017, o destaque positivo vai para a B3 pelo bom desempenho: crescimento expressivo das receitas, dos lucros, da geração de caixa medida pelo EBITDA, embora com elevação da relação dívida/EBITDA para nível de alerta. O bom desempenho da B3 foi refletido em significativa melhora da rentabilidade patrimonial que aumentou 15%. O destaque negativo vai para BR Insurance pelo fraco desempenho nos 9M2017 e na comparação com os 9M2016: queda expressiva de receitas, prejuízos recorrentes, insuficiência de geração de caixa medida pelo EBITDA, além de deterioração da rentabilidade.

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Luiz Guilherme Dias
Equipe SABE Inteligência em Ações

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