GOL: Será que agora decola?

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GOL: Será que agora decola?

29/03/2018

Em 2015 o prejuízo chegou a 4,3 bilhões de reais, o maior da história da Gol e de todas as companhias aéreas do continente. No ano seguinte a Gol deu a virada: além de ter saído do vermelho — o lucro somado em 2016 e 2017 chegou a 1,5 bilhão de reais —, a Gol passou a liderar os rankings de qualidade.

Em 2016 foi a companhia aérea mais pontual do país, de acordo com um levantamento da consultoria inglesa OAG Aviation World-wide (em 2017 ficou em segundo lugar, atrás da Azul). Também foi a empresa que menos recebeu reclamações de consumidores: sete em cada 100.000 clientes, enquanto a Avianca recebeu 12, e Azul e Latam, 18, de acordo com a ANAC, agência reguladora do setor de aviação.

O endividamento da Gol, um dos grandes problemas de 2015, caiu de forma significativa. Em 2017, representa três vezes a geração de caixa, ante o nível de 37 vezes registrado três anos atrás. A melhora levou as agências de classificação de risco Moody’s e Standard & Poor’s a elevar a nota da Gol, o que permitiu que a empresa emitisse títulos de dívida pagando juros menores. As receitas subiram 8% desde 2015 e a margem operacional, que era negativa, bateu em 9%. (Fonte: EXAME).

Confira a seguir os principais indicadores-chave (KPI SABE), dos últimos dois anos, da GOL e da Azul, sua única concorrente em bolsa, extraídos dos balanços consolidados das duas companhias do Big Data SABE:

Mesmo considerando a melhora do desempenho da Gol, como informado na matéria da Exame, vemos ainda um quadro financeiro difícil para a companhia: patrimônio líquido negativo (R$ 3 bilhões em 2017) e grau de alavancagem financeira muito elevado (mais de 7 vezes em 2017). Por outro lado, os aumentos de receita e EBITDA não foram suficientes para segurar o lucro de R$1,1 bilhões, conquistado em 2016, que caiu 66% em 2017 para R$378 milhões. Como consequência a Gol nada entregou aos seus acionistas com o ROE deteriorado nos últimos dois anos.

A título de comparação, a Azul, embora de menor porte que a Gol, voa num “céu com menos turbulência”: com aumento expressivo de seu patrimônio, a Azul teve aumentos expressivos de receita e EBITDA e reverteu o prejuízo de R$126 milhões em 2016 para um lucro de R$529 milhões em 2017. Além disso, reduziu de 2016 para 2017, consideravelmente, o seu grau de alavancagem financeira de 10x para 4,9x, mais que a metade, além de obter um ROE de 18,7% em 2017.

Sob a ótica do desempenho trimestral em bolsa, os preços ajustados das ações das duas companhias foram o seguinte:

·  GOL PN (GOLL4): valorização de 191,07%, de Jun/2013 a Mar/2018; Ibovespa valorizou 76,74%;

·  AZUL PN (AZUL4): valorizações de 60,77%, de Jun/2017 a Mar/2018; Ibovespa valorizou 33,35%;

O desafio da Gol, daqui para a frente, será lidar com o aumento da competição. O acordo “Céus Abertos” entre Brasil e Estados Unidos, se for promulgado pelo Congresso, derrubará a limitação de oferta de voos entre os dois países. Com isso, empresas aéreas americanas, que hoje estão fora do mercado brasileiro, poderão fazer viagens para o Brasil. O plano da Gol para continuar crescendo é aumentar a oferta de voos internacionais. Em novembro, a empresa voltará a oferecer rotas para Miami e Orlando, nos Estados Unidos, que haviam sido interrompidas durante a recessão brasileira.

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Por outro lado, a abertura do capital da Azul, que captou 2 bilhões de reais na bolsa no ano passado, acelerou seus planos de expansão. A companhia lançou novos destinos e aumentou a frequência de alguns que já operava. A Azul teve em 2017 uma margem operacional maior do que a da Gol. Em parte, a diferença é explicada pelo fato de a Azul ser a única empresa a oferecer voos em determinadas rotas regionais, mas os analistas também elogiam a gestão da companhia, afirmando que o controle de custos é rígido.

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Luiz Guilherme Dias
Equipe SABE Inteligência em Ações

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