FIBRIA: que lucro é esse?

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FIBRIA: que lucro é esse?

26/10/2017

Segundo notícia do site Infomoney de 25/Out/2017, “a Fibria abriu a safra de resultados do 3º trimestre com lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 742,3 milhões, quase 26 vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2016”. Aparentemente é uma excelente notícia, mas se olharmos o lucro consolidado dos nove meses de 2017 (9M2017) o quadro é bem diferente: queda de 54% em relação a igual período de 2016 (9M2016), de R$ 1,755 bilhões para R$ 813 milhões. Afinal, que lucro é esse?

Olhando os últimos cinco anos, em termos de crescimento anual composto (CAGR), a Fibria teve leve queda de patrimônio (-1,88%), aumento expressivo do endividamento líquido (10,56%) e aumentos fracos de receita líquida e geração de caixa medida pelo EBITDA. Em 2012 e 2013 a Fibria amargou prejuízos de R$ 698 milhões em cada exercício, o que prejudicou a análise do crescimento do resultado líquido composto.

Em período mais recente, fazemos os seguintes comentários, tomando como base a comparação dos 9M2017 contra 9M2016: aumento significativo de mais de 21% da dívida líquida que já está na casa dos R$ 17 bilhões. A relação dívida/EBITDA nos 9M2017 alcançou 4,84x (aumento de 22% em relação ao mesmo período de 2016), sinalizando uma tendência perigosa. O resultado operacional caiu 10,66% e o lucro acumulado dos nove primeiros meses de 2017 caiu 53,66% em relação aos 9M2016. Portanto, a boa notícia da matéria mencionada requer cautela, pois pode iludir o investidor desatento.

O fraco desempenho observado nos balanços da Fibria não se reflete na bolsa. A ação FIBR3 (FIBRIA ON), embora com alta volatilidade, como ilustra o gráfico acima, teve desempenhos expressivos no curto prazo (+ 68,65%) e, principalmente, no longo prazo (+ 160,55%), superando de longe o Ibovespa. Competindo num setor onde o líder é Suzano Papel, seguido de Klabin, estas companhias enfrentam as variações da cotação do dólar, por serem fortes exportadoras e terem dívida na moeda americana.

Mas, quem manda é o mercado: algumas casas de análise projetam o upside de 17% para FIBR3, atingindo a cotação de R$65,50. Por outro lado, Marcelo Castelli, CEO da Fibria, disse que a companhia está aberta a oportunidades de consolidação. O mercado aposta em uma fusão com a Suzano, principalmente após a Eldorado Celulose, da J&F, ter sido vendida para uma estrangeira (Paper Excellence). Isso reduziria a chance de reprovação no Cade. (Fonte: MoneyTimes).

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Luiz Guilherme Dias
Equipe SABE Inteligência em Ações da Bolsa

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