Embraer com Boeing fica mais competitiva

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Embraer com Boeing fica mais competitiva

14/12/2018

A competição do mercado possui um efeito disciplinador para as firmas, podendo contribuir para melhoria da governança corporativa e redução dos custos de contratos. Em razão do aumento do fluxo das informações e possibilidade de uma maior comparação entre as firmas do mesmo setor, a competição pode limitar a discricionariedade do gestor, inclusive tendo impacto direto na qualidade da informação contábil. (Fonte: Rodrigues Sobrinho).

A Airbus e a Bombardier se tornaram parceiras do programa CSeries da Bombardier para os jatos CS100 e CS300 lançados recentemente pela companhia canadense. O acordo reúne a abrangência global da Airbus com a família das mais modernas de jatos comerciais para uma faixa de capacidades (100/150 passageiros) não coberta pela Airbus. Fonte: AeroMagazine. Continue lendo...

No dia 6/dez/2018, o juiz federal Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível de São Paulo, concedeu uma liminar atendendo um pedido de deputados petistas suspendendo o negócio entre a brasileira Embraer e a americana Boeing. O acordo prevê que a Boeing compre 80% da divisão de jatos comerciais da Embraer por US$ 3,8 bilhões e foi anunciado em jul/2018, apesar do negócio ainda não estar completamente fechado.

O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) derrubou no dia 10/dez/2018 a decisão da Justiça Federal que suspendia o acordo para a joint venture entre a Embraer e a Boeing. Segundo o desembargador Luiz Alberto de Souza Ribeiro, "a invasão do Judiciário na autonomia privada das partes causa insegurança jurídica, o que gera, no contexto do caso em análise, reflexos no mercado nacional e internacional". Além disso, ele fez um alerta, apontando que "a suspensão das negociações acarreta graves prejuízos, podendo, de fato, até mesmo ensejar a desistência do negócio". Ribeiro também criticou a ação que causou a suspensão dizendo que ela é infundada. (Fonte: Infomoney).

Desempenho da Companhia e da Ação

De 2013 a 2017 a Embraer teve um desempenho econômico-financeiro positivo. Considerando a taxa composta de crescimento anual (CAGR), tivemos: Patrimônio Líquido (+10% aa), Receitas Líquidas (+7% aa), EBITDA (1% aa) e Resultado Líquido (+1,5% aa). O fator negativo ficou com o crescimento da dívida que atingiu R$ 13,6 bilhões no fim de 2017, correspondendo a um múltiplo DL/EBITDA (6,35x), considerado muito elevado para os padrões de mercado.

Os números do balanço dos 9M2018 quando comparados com os do mesmo período de 2017 evidenciam queda no desempenho atual da companhia: Patrimônio Líquido (+20%), Receitas Líquidas (-5%), EBITDA (-45%) e Resultado Líquido (-179%), correspondendo a um prejuízo de R$ 570 milhões, o primeiro desde 2013. A dívida líquida cresceu 34% levando o grau de alavancagem financeira anualizado (DL/EBITDA) a 16,68x, o maior nível da série histórica, sinalizando um “alerta vermelho”. Nos 9M2018 a companhia não entregou retorno a seus acionistas devido ao prejuízo; a média dos últimos cinco anos era de 6%.

Confira no gráfico a seguir o desempenho econômico-financeiro da Embraer de 2013 a set/2018, com informações extraídas do Big Data SABE.

Sob a ótica do desempenho em bolsa, a ação Embraer ON (EMBR3) teve, no longo prazo (de dez/2013 a 11/dez/2018) um desempenho fraco, com valorização de 15,61%, contra 67,85% do Ibovespa.  O preço ajustado de EMBR3 saiu de R$18,19 e alcançou R$21,03 no fim do período. O gráfico abaixo ilustra o desempenho da companhia.

Desempenho no Setor

A Embraer pertence ao Setor de Máquinas e Equipamentos na bolsa de valores brasileira. No 1S2018 a companhia figurou no ranking de 22 empresas da seguinte forma: 1º lugar por Receitas Líquidas (R$ 12,3 bilhões) e 22º lugar (último!) por Resultado Líquido (prejuízo de R$ 570 milhões). Além disso, foi a companhia que apresentou o 2º maior grau de endividamento medido pela relação DL/EBITDA (16,68x).

Conclusão

O economista italiano Luigi Zingales, professor na Universidade de Chicago, notabilizou-se pelo estudo das relações danosas entre governos e empresas — o capitalismo de laços. Recentemente, em um artigo, ele defendeu que os economistas precisam analisar mais detidamente a interseção entre poder e economia. O raciocínio: há uma interação negativa entre o domínio de mercado de uma empresa e o poder político. A atenção ao tema se deve ao fato de que, para Zingales, a economia dos Estados Unidos está cada vez mais calcada nos laços com o governo, reduzindo a competição. Os gigantes digitais Google e Facebook são, na opinião do italiano, os “novos Rockfellers”, em referência a John Rockfeller, empresário que monopolizou o setor de petróleo no final do século 19. (Fonte: Exame).


Surge uma indagação: A Embraer conseguiria sozinha enfrentar a concorrência? Com a união de Airbus e Bombardier a resposta é não.  A joint venture entre a Boeing e a Embraer vem numa boa hora. Com o novo cenário de mercado e tendo que administrar uma dívida 16 vezes superior à sua geração de caixa, é mais prudente ficar com os 20% das ações do segmento de produção de aviões comerciais do que nada. O futuro dirá...

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Luiz Guilherme Dias
SABE | Inteligência em Ações da Bolsa

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