Educação – Redução das Receitas preocupa.

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Educação – Redução das Receitas preocupa.

06/04/2018

Segundo dados da consultoria Atmã Educar, publicados pela Revista Exame (Edição 1157), a redução do FIES (o financiamento estudantil do Governo Federal) junto com a expansão do ensino à distância deverão diminuir as mensalidades médias das faculdades brasileiras em 40%, nos próximos três anos. O tíquete médio mensal deverá passar dos atuais R$750,00 para R$450,00.

Desde 2014 o número de novos contratos do FIES caiu de 730.000 para 430.000 ao ano. Por outro lado, o número de polos de ensino à distância cresceu 85% no 2º semestre de 2017, graças a uma portaria do Ministério de Educação que destravou as regras para o setor. Alguns desses polos estarão cobrando mensalidades abaixo de apenas R$50,00, provocando um desequilíbrio no mercado de ensino superior.

Do ponto de vista das companhias abertas, apenas cinco empresas com ações na bolsa fazem parte do Setor de Educação. Segundo os balanços de 2017, todas as empresas deram lucro, tendo a Anima se destacado por ter mais que quadriplicado seu lucro de 2016, passando de R$20 milhões para R$85 milhões em 2017.

Kroton e Estacio juntas detêm pouco 68% das receitas do setor, ficando a Kroton com a maior fatia de 42%. O total das receitas em 2017 foi de R$ 12,4 bilhões contra R$ 13,1 bilhões em 2016, correspondendo a uma queda de pouco mais de 5%. Todas as companhias tiveram quedas em suas receitas de 2017 em relação ao ano anterior, confirmando a expectativa apontada acima.

O desempenho como um todo das companhias do Setor de Educação foi razoável: queda de receitas, aumento de EBITDA e lucros, com expressiva redução da dívida líquida e da alavancagem financeira que em 2017 ficou abaixo de 1,5x.

Anima, Estacio e Kroton tiveram aumentos de lucros em 2017 comparado com 2016: 308%, 15% e 1%, respectivamente. Ser Educa teve redução de 14% e Somos Educa reverteu o prejuízo de R$ 74 milhões de 2016 para um lucro de R$ 12 milhões em 2017.

Com relação ao endividamento, todas as companhias tiveram redução, exceto Somos Educa cuja dívida cresceu 11% em 2017. Além disso todas as companhias, sem exceção, tiveram queda no grau de alavancagem financeira, com destaque para Kroton, Estacio e Ser Educa que possuem a relação dívida/EBITDA menor que 1x. Anima e Somos Educa estão com grau de alavancagem superior a três vezes sua geração de caixa, em 3,82x e 5,11x, respectivamente. A empresa que apresentou o melhor ROE (retorno do acionista) em 2017 foi a Estacio (15,29%) e a que apresentou o maior crescimento em relação a 2016 foi a Anima (8,95 pontos percentuais com ROE de 12,23%).

Da comparação dos balanços de 2016 contra 2017, o destaque positivo é da Estacio, que obteve os melhores indicadores de crescimento de resultados: lucros (+15%), EBITDA (+13%), dívida absoluta (-45%) e dívida relativa à geração de caixa (-51%), além de ter conseguido o melhor índice de retorno para o seu acionista (15,29%) em 2017.

O destaque negativo fica com a Somos Educa que, embora tenha revertido o prejuízo de 2016, teve aumento de 11% do seu endividamento, alcançando o índice de alavancagem de 5,1 vezes em 2017. Entretanto, vale o registro sobre a expressiva redução desse grau de endividamento que estava em 9,1 vezes em 2016.

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Luiz Guilherme Dias
Equipe SABE Inteligência em Ações

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